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Um ciberdiário para escrever um pouco sobre Música Popular Brasileira
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Sábado, Maio 31, 2003
O canto de Clara Sandroni Ouvi a cantora Clara Sandroni pela primeira vez, no álbum "Encontros e despedidas", de Milton Nascimento, interpretando com ele a canção A primeira estrela. Ela tem uma voz marcante e bela. Além desse trabalho, participou também do "Songbook de Ary Barroso", ao lado de Cláudio Nucci, cantando Canta, Maria. Destaco suas interpretações (Outro canto americano e O navio negreiro) no belíssimo Cd "Homens Partidos", de Felipe Radicetti. Vale a pena conferir também sua gravação de Bouquet, que faz parte do disco "Songbook de Djavan".
Em 89, lançou o álbum "Clara Sandroni", que conta com a presença de Milton, na faixa Um índio, de Caetano Veloso. O repertório é ótimo! Além da canção citada, ela interpreta Homenagem ao malandro (Chico Buarque), Santa Clara clareou (Dorival Caymmi), E daí (Ruy Guerra e Milton), Clube da esquina (Márcio Borges, Lô Borges e Milton), entre outras. Gosto muito de Guardanapos de papel, de Carlos Sandroni e Léo Masliah. Esse belo disco foi relançado em Cd. Mais recentemente, Clara e Marcos Sacramento gravaram um álbum, dedicado a Baden Powell. Nele, há duas músicas de Powell, em parceria com Paulo César Pinheiro; e as demais, com Vinícius de Moraes. O Cd traz as participações especiais de Mauricio Carrilho, Marcos Suzano, Zero e Carlos Negreiros. Esse disco é um belo trabalho! Gosto muito de Canto de Iemanjá, Canto de Ossanha, É de lei, Bocoché e Berimbau. Segunda-feira, Maio 26, 2003
Toda a grandeza vocal de Clarisse Grova Se cada um tem uma missão na vida, Clarisse veio ao mundo para nos brindar com sua voz linda e interpretações inesquecíveis. Ela é, sem dúvida, um ser iluminado. Todos que a conhecem se rendem a seu talento. Clarisse imprime às músicas que canta toda a sua emoção. Ela literalmente brinca com a voz, mostrando todo o seu prazer em cantar.
Sou fã de Clarisse há anos e venho, desde então, acompanhando o seu trabalho. Além dos álbuns de carreira que citei num post anterior, tenho em casa preciosidades. Minha aquisição mais recente é a sua participação no álbum "Afinidades", do grupo Céu da Boca, que homenageia o compositor Pedro Caetano. Nesse disco, ela canta Toada de Santa Tereza, em dueto com Chico Adnet. Em 96, juntou-se ao grupo Cama de Gato para gravar o álbum "Friends from Rio", produzido pelo selo inglês Far Out, interpretando belíssimamente Para Lennon e McCartney, de Márcio Borges, Lô Borges e Fernando Brant. Em 2000, participou do Festival da Globo, cantando Valsa em Se, de Carlos Henry. Essa linda canção faz parte do Cd "Os médicos do Pará trocaram o estetoscópio pela música". Clarisse e Felipe Radicetti, recentemente, uniram seus talentos para gravar o álbum "Superlisa", que traz arranjos inovadores, contemporâneos, impecáveis, todos assinados por Radicetti, fazendo com que esse não seja mais um Cd. A escolha do repertório foi cuidadosa, e eles passeiam por estilos musicais variados. Nesse disco, Clarisse, além de fazer interpretações maravilhosas, também mostra o seu talento como compositora, em O tal trem, Coração, Import (ânsia), Marrento (com Radicetti) e Um outro fado (com Paulo César Feital). Em O Tal trem, por exemplo, ela faz referência a nomes e canções que fizeram história na MPB, como Tom, Chico, Noel, Elis, dentre outros. De Felipe Radicetti, há ainda as canções Livro em branco; Rude pedra (com Luiza Haranda); Indiviso e Guerra e paz (com Cristina Saraiva); Senhora e Moleque-marraio (com Marcelo Biar) e É tarde (com Carla Aka). Esse álbum é todo lindo. Não me canso de ouvi-lo. Vale a pena conferir também a bela releitura que Clarisse e Radicetti fizeram de Ternura antiga, de J. Ribamar e Dolores Duran. Esse disco conta com as participações especiais de Victor Biglione, Chico Adnet, dentre outros. Sexta-feira, Maio 23, 2003
As várias facetas artísticas de Lucinha Lins A cantora, atriz e dançarina Lucinha Lins canalizou toda a sua emoção para gravar, ano passado, "Canção Brasileira", em que faz belas interpretações de Sueli Costa, uma das melhores e mais atuantes compositoras da música popular brasileira.Os arranjos são de Gilson Peranzzetta; e a direção e produção musical, de Zé Luiz Mazziotti. Ambos fazem um trabalho primoroso. Esse Cd é ótimo!
Lucinha, dona de uma voz doce e afinadíssima, faz as releituras de clássicos, como Alma, Face a face e Dentro de mim mora um anjo. As minhas prediletas são Altos e baixos, Cão sem dono e Medo de amar 2. Destaco também Coração ateu, em que Peranzzetta faz um arranjo belíssimo. Logo que esse álbum foi lançado, comprei-o, já que reúne canções de que tanto gosto, cantadas por Lucinha, uma grande intérprete. Quarta-feira, Maio 21, 2003
As interpretações memoráveis de Zé Luiz Mazziotti A primeira canção que me despertou para o talento de Zé Luiz Mazziotti foi Dona Benta, de Ivan Lins e Vitor Martins, que faz parte do álbum "O Sítio do Picapau Amarelo", lançado em 1977. Os arranjos dessa música forma feitos por Dori Caymmi e Ivan Lins. Sempre que a ouço, lembro-me da fascinação que tinha pelo mundo mágico, criado por Monteiro Lobato. Não perdia um só episódio do programa.
O cantor e compositor Zé Luiz, em 79, lançou seu primeiro LP, que contou com a participação especial de Nana Caymmi. Os arranjos foram feitos por Gilson Peranzzetta e Dori Caymmi. Esse álbum traz duas composições de Zé Luiz com Sergio Natureza (Bastante e Pelo menos). Além dessas, destaco Altos e Baixos, Vida em segredo e Violão vadio. Esse disco é ótimo. Em 81, gravou "Sinais", em que canta Djavan (Meu bem querer), Fátima Guedes (Tanto que aprendi de amor), Joyce (Amigos), entre outros. Gilson Peranzzetta e Antonio Adolfo assinam os arranjos do álbum. Destaco a bela canção de Zé Luiz em parceria com Ana Terra (Culpas e Razões). Três anos depois, lançou o disco "E o Amor Falou", que apresenta composições de Cláudio Nucci, Rosa Passos, Fátima Guedes, entre outros. Os arranjos são de Dori Caymmi, Antonio Adolfo, Nelson Ayres, Théo de Barros e Laércio de Freitas. Há também a participação da cantora Nana Caymmi. Em 94, gravou "José Luiz Mazziotti", produzido por Leny Andrade. Nesse disco, ele canta Rosa Passos, Nucci, Tom e Chico, entre outros. Gosto muito de Causa perdida, Piano na Mangueira, Meu silêncio e No pedaço. Zé Luiz e a cantora Célia, em 2001, lançaram "Pra Fugir da Saudade", que traz algumas das canções mais representativas de Paulinho da Viola. Há sucessos, como Cadê a razão, Argumento e Coração leviano. Adoro Onde a dor não tem razão, de Elton Medeiros e Paulinho da Viola. No ano passado, lançou um Cd, cantando Chico Buarque. O repertório foi escolhido a dedo, e Zé Luiz nos emociona ao fazer releituras impecáveis das canções de Chico. Há clássicos, como Embarcação, Almanaque, As vitrines, Tantas palavras e Cadê você (com a participação de Chico Buarque). Em abril deste ano, apresentou-se em Curitiba, no Teatro Paiol, ao lado de Fátima Guedes, no show "O Rouxinol e a Rosa". Ele interpretou as canções de Chico; e Fátima, alguns de seus sucessos, como Absinto, Condenados, Lápis de cor e Flor de ir embora. Este ano, participou do Cd "Canções", gravado em Fortaleza, que traz músicas de Nonato Luiz, com letras de Abel Silva, Sergio Natureza, Fausto Nilo, entre outros. Nesse álbum interpreta Sedução, de Nonato Luiz e Olímpio Rocha. Zé Luiz, com sua voz suave, privilegiada e interpretações intimistas, marca presença na Música Brasileira. Zé Luiz, Célia e Jane Duboc cantam juntos em São Paulo Os cantores Zé Luiz Mazziotti e Célia recebem na próxima terça-feira, no Bar Passatempo, a cantora Jane Duboc. Na semana seguinte, o convidado especial será Paulinho da Viola.
Pena que eu não possa ir a esse show. Se morasse em São Paulo, não o perderia por nada. Domingo, Maio 18, 2003
Os belos arranjos vocais do Boca Livre ![]() O grupo Boca Livre, um dos melhores da nossa música, nos brinda com uma afinação perfeita, com arranjos vocais cuidadosos e belos e um repertório de primeira linha. Inicialmente, o grupo era formado por Zé Renato, Cláudio Nucci, Maurício Maestro e David Tygel.
Em 79, lançaram o LP "Boca Livre", que foi muito bem recebido pela crítica e pelo público. Há, nesse álbum, canções que ficaram muito conhecidas, como Toada, Mistérios e Quem tem a viola. Os arranjos vocais e instrumentais foram feitos por Maurício Maestro. Adoro Diana e Barcarola de São Francisco. No ano seguinte, o cantor Cláudio Nucci deixa o grupo para se dedicar à carreira solo, sendo substituído por Lourenço Baeta. O grupo grava, então, "Bicicleta", que traz a participação especial de Tom Jobim nas faixas Correnteza e Saci. Destaco os belos vocalizes do grupo na canção-título. Gosto muito também de As moças, Passarinho e Nossa dança. Em "Folia", o primeiro álbum que conheci deles, há a participação do grupo MPB4 na canção Se meu jardim der flor. Destaco o belíssimo trabalho vocal do Boca Livre em Alguém cantando, de Caetano Veloso. Adoro Pena de sabiá e Tudo certo. "Boca Livre - Em Concerto", gravado ao vivo, conta com a participação de Zé Nogueira em Roxane, interpretada por Zé Renato. O grupo regrava sucessos, como Diana, Mistérios, entre outros. As minhas prediletas são Benefício e Canoa, canoa. Em 92, Fernando Gama entra para o grupo, no lugar de David Tygel, que passa a compor para cinema e teatro. Lançaram, nesse ano, "Dançando pelas Sombras", a meu ver, um dos melhores trabalhos do grupo. Participam desse disco Marcelo Costa, Marcos Suzano e Zé Nogueira. Apaixonei-me logo pela primeira música do CD, Dança do Ouro. Os arranjos vocais de Maurício são primorosos. Destaco a releitura de Caxangá, de Milton e Fernando Brant. Adoro Cruzada e The first circle. Em 94, gravaram "Songboca", em que cantam os seus sucessos, como Folia, Toada, entre outros. O cantor Zé Renato faz as releituras de Quem tem a viola e Ânima. Além dessas, adoro Folia, Feito mistério, Testamento e Epigrama. O grupo, em 97, comemorou 20 anos de carreira, lançando um CD, que traz as participações de grandes nomes da MPB, como Milton, Chico, Gal, Djavan, entre outros. Destaco a gravação que Milton e Boca Livre fizeram de Toada. Há também as presenças de Cláudio Nucci e David Tygel na faixa Bicicleta. Esse álbum é ótimo. Em 2000, Zé Renato deixa o grupo para se dedicar à carreira solo, retornando em seu lugar Cláudio Nucci. Gravaram "Nossos cantos", com a participação de Joyce. Destaco Viajando no tempo, Barulho d'água e Ciranda da Lua. Gostei muito desse trabalho e recomendo-o. Quinta-feira, Maio 15, 2003
A genialidade musical de Milton Nascimento "Toda a vida existe pra iluminar o caminho de outras vidas que a gente encontrar homem algum será deserto ou ilha como não pode o rio negar o mar seja lá em qualquer norte ou no sul seja lá na Dinamarca ou aqui sonhe um sonho solidário faz crescer o amor diário faz amigos em cada rua ou bar." (Filho, de Milton Nascimento e Fernando Brant) Achar as palavras que traduzam a grandeza de Milton Nascimento não é uma tarefa fácil, já que o nosso "Bituca" é um gênio na arte de cantar e compor. Com sua voz divina, ele nos brinda com canções sensíveis, tocantes e essencialmente humanas.
Cresci ouvindo suas composições, que me são muito significativas, pois representam momentos da minha vida. A música Travessia, que ganhou o segundo lugar no II Festival Internacional da Canção (1967) e lhe rendeu o prêmio de melhor intérprete, é um marco na sua carreira, uma vez que o tornou conhecido e respeitado. Fernando Brant é seu parceiro musical de muitos anos, e juntos fizeram clássicos, como San Vicente, Outubro, Milagre dos peixes, Coração civil, Raça, entre outras. A discografia de Milton é imensa, por isso, neste post, abordarei somente quatro de seus trabalhos. Em outro momento, falarei acerca de outros álbuns, que mostram a sua grande importância para a música. Em 72, Milton e Lô Borges lançaram o disco "Clube da Esquina", que conta com as participações de Beto Guedes (Nada será como antes) e de Alaíde Costa (Me deixa em paz). Esse álbum primoroso traz canções memoráveis, como Cravo e canela, Tudo o que você podia ser, entre outras. Gravou, em 78, "Clube da Esquina 2", a meu ver, um dos seus melhores trabalhos. O disco está repleto de grandes nomes da MPB, como Elis Regina, Chico Buarque, Lô Borges, entre outros. Cesar Camargo Mariano, Novelli e Wagner Tiso são alguns dos instrumentistas que participam desse trabalho. A direção musical é de Mariozinho Rocha, e o disco traz clássicos, como Testamento, Maria Maria, E daí?, O que foi feito devera, Canção amiga, entre outras. Essa última é um poema de Carlos Drummond de Andrade, musicado por Milton. Em "Sentinela", lançado em 80, Milton nos emociona, cantando Itamarandiba, Canção da América, Caicó, entre outras. Nessa última, ele demonstra grandes recursos vocais, ampliando sua extensão até os falsetes mais agudos. O disco foi produzido por Mazola e traz as participações de Nana Caymmi (Sentinela) e Mercedes Sosa (Sueño con serpientes). Destaco a bela canção Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco, de Milton e Leila Diniz. "Ânima", outro álbum produzido por Mazola, conta com as participações de músicos, como Hélio Delmiro, Ricardo Silveira, Robertinho Silva, Wagner Tiso, Tunai, entre outros. Há ainda as presenças de Simone e Tadeu Franco (Comunhão) e de Caetano Veloso (As várias pontas de uma estrela). Na música Essa voz, Milton homenageia a cantora Elis Regina. Em Evocação das montanhas, ele usa a voz como instrumento musical, fazendo belíssimos vocalizes. Adoro Ânima, Teia de renda e Certas canções. Destaco também a vinheta No analices, de Cláudio Cartier e Paulo Cesar Feital. Segunda-feira, Maio 12, 2003
Mônica Salmaso e Paulo Bellinati juntos no Rio Hoje assisti ao show de Mônica Salmaso, acompanhada do violonista Paulo Bellinati, no ArtSesc. O lugar era perfeito para um show intimista: pequeno e aconchegante. Ela, além de cantar muito bem, é muito simpática. Bellinati é genial, um instrumentista completo. Era visível a admiração e o respeito que um sentia pelo outro. Fizeram um belo show, conseguindo emocionar todos nós. Apresentaram as canções de Baden Powell e Vinícius, que fazem parte do Cd Afro-Sambas. Quem não conhecia o trabalho deles, certamente gostou à beça. Pena que só fizeram uma única apresentação aqui. Sábado, Maio 10, 2003
O canto e as canções de Nucci O cantor e compositor Cláudio Nucci iniciou sua carreira solo, em 80, com o lançamento do compacto "Quero Quero".
No ano anterior, o grupo vocal Boca Livre, do qual Nucci fazia parte, lançara um álbum, contendo os sucessos Quem tem a viola, Toada e Mistérios. Além desses, adoro Diana, Barcarola de São Francisco e Ponta de areia. Em 81, gravou o disco "Cláudio Nucci", que conta com as participações especiais de Zé Renato e Nana Caymmi. A música mais conhecida desse trabalho é Acontecência. Destaco Luz do dia e Vontade de viver. Há alguns anos, assisti a uma entrevista de Nucci, em que ele dizia ser "Melhor de Três", o seu melhor trabalho. De fato, esse disco é ótimo. Em algumas canções, Nucci faz parceria com Cacaso; noutras, com Juca Filho. Gosto muito de Na minha casa e de Santa Clara. Em 85, lançou "Pelo Sim, Pelo Não", com Zé Renato. O álbum traz belas canções, como Atravessando a cidade, Papo de passarim, Mel da ilha, entre outras. As músicas mais conhecidas são A hora e a vez e Pelo sim, pelo não. Adoro De nós e Toda luz. Cláudio Nucci se juntou a Zé Renato, Marcos Ariel, Zé Nogueira e Ricardo Silveira, para formar a Banda Zil. Em 87, o grupo gravou um álbum primoroso, com canções, como Ânima, Benefício, Pegadas frescas, entre outras. Destaco a belíssima interpretação de Nucci em Jequié. Em "Casa da Lua Cheia", regravou os sucessos Sapato velho e Toada. Há as participações especiais de Guinga, Paulo Belinatti, Marcos Suzano, entre outros. O álbum foi produzido por Nucci e Sérgio Oliveira. Adoro Voz, Meu silêncio e Carro de boi. Durante todos esses anos de carreira, Cláudio Nucci vem fazendo participações especiais em álbuns de outros artistas. Destaco suas contribuições no álbum "Homens Partidos", de Felipe Radicetti (Homens Partidos) e, no "Songbook de Ary Barroso" (Canta, Maria, em dueto com Clara Sandroni). Não poderia deixar de falar também de sua bela interpretação em Suburbano coração, que faz parte do "Songbook de Chico Buarque". Em 2000, retornou ao Boca Livre, no lugar de Zé Renato. O grupo lançou "Novos Cantos", que conta com a participação de Joyce. Esse é outro trabalho que vale ser conferido. A doce e bela voz de Nucci vem, a cada trabalho, mostrando amadurecimento e sintonia com que há de melhor na música brasileira. Quarta-feira, Maio 07, 2003
Leila Pinheiro, grande ícone da MPB Leila Pinheiro, em 83, lançou seu primeiro álbum, incluindo composições, como Espelho das águas, Falando de amor (ambas de Tom Jobim) e Cão sem dono (de Sueli Costa e Paulo César Pinheiro).
Três anos depois, ganhou o prêmio revelação no Festival dos Festivais da TV Globo, interpretando Verde, de Eduardo Gudin e José Carlos Costa Netto. No ano seguinte, lançou o disco "Olho Nu", em que cantou Verde, música que a tornou conhecida. Destaco também as composições O fundo e Olho nu. Esse álbum é excelente. Em 88, Leila lançou "Alma", que traz composições primorosas, como Besame, Pra Iluminar, Ânima e Voz de mulher. Leila Pinheiro gravou dois álbuns, dedicados à Bossa Nova. "Benção, Bossa Nova", produzido por Roberto Menescal, traz clássicos, como O amor em paz, Meditação, Corcovado, Pra que chorar e Tem dó. Em "Isso é Bossa Nova", Leila interpreta Desafinado, Discussão, Caminhos cruzados, Garota de Ipanema, entre outras. Esse álbum foi produzido por João Augusto. Em 93, lançou "Coisas do Brasil", produzido por Cesar Camargo Mariano. Leila homenageia Vinícius, cantando Primavera, Deixa e Marcha de quarta-feira de cinzas. Adoro Vai passar e Chorar de mal de amor. "Catavento e Girassol", um dos álbuns de que mais gosto, é espetacular. Todas as músicas são de Guinga e Aldir Blanc. O disco nos mostra todo o potencial vocal de Leila e a genialidade dos autores. Adoro Canibaile, O coco do coco, Neblina e flâmulas e Chá de panela. Essa última homenageia Hermeto Pascoal, o mago da sonoridade experimental. No Cd "Reencontro", canta músicas de Gonzaguinha e Ivan Lins. Há sucessos, como Feliz, Acaso, Iluminados, Lembra de mim, entre outros. Destaco a belíssima interpretação de Leila em Espere por mim, morena. Em 2001, lançou "Mais Coisas do Brasil", gravado ao vivo, em que Leila canta algumas de suas canções mais conhecidas, como Besame, Catavento e girassol, Verde e Serra do luar. Destaco Todo azul do mar, de Flávio Venturini e Ronaldo Bastos. Esse é mais um belo trabalho de Leila Pinheiro. Domingo, Maio 04, 2003
O universo musical de Joyce "O amor é um peixe estrela que brilha quanto mais fundo que voa sobre as distâncias de todo mar deste mundo. Mas nunca brilha sozinho nem voa na solidão. Precisa de seu cardume, da sua constelação. (Peixe estrela - Joyce) A cantora Joyce, em 68, lançou o seu primeiro LP, em que já mostrava a sua habilidade de compositora em músicas, como Não muda não, Improvisado, Superego, entre outras. O sucesso veio em 80, quando gravou o álbum "Feminina", em que cantou canções como Clareana, Feminina e Mistérios.
Em 85, lançou "Saudade do Futuro", um de seus trabalhos de que mais gosto. As canções são delicadas e belas. O álbum traz a participação de Milton Nascimento em Tema pra Jobim, de Joyce e Gerry Mulligan. Adoro Peixe estrela, Quadrantes, Sonora garoa e Cortina de bambu. No ano de 87, gravou um álbum, em que homenageia Tom Jobim. Há clássicos da Bossa Nova, como Corcovado, Wave, Desafinado, Meditação e Insensatez. Destaco sua interpretação em Retrato em branco e preto. No ano seguinte, lançou "Negro Demais no Coração", dedicado a Vinícius de Moraes. Há a participação de Maria Bethânia na faixa Tarde em Itapoã. Além dessa, Joyce cantou Eu sei que vou te amar, O astronauta, Canto de Ossanha, entre outras. Em 94, Joyce reúne amigos da MPB e lança o álbum "Revendo Amigos". Há participações especiais de Fátima Guedes (Da cor brasileira), Boca Livre (Clareana), Wanda Sá (Essa mulher), Ney Matogrosso (Duas ou três coisas), Chico Buarque (Capitão), entre outras. Joyce e Toninho Horta gravaram, em 95, "Sem Você", contendo grandes sucessos, como Dindi, Lygia e Correnteza. Em 98, Joyce homenageia a cantora Elis Regina com o álbum "Astronauta", incluindo a canção inédita Samba para Elis, dela e de Paulo César Pinheiro. Gosto muito de Canto de Ossanha, Morro velho, Querelas do Brasil e Águas de Março. Em "Ilha Brasil", ela conta com as participações especiais de Hermeto Pascoal, Mozar Terra, Jaques Morelenbaum, entre outros. Destaco as composições Roda a baiana e Paraíso, ambas de Joyce e Maurício Maestro, como também Ilha Brasil, de Joyce e Paulo César Pinheiro. "Gafieira Moderna" é o seu álbum mais recente. Nele, há a participação de Elza Soares na faixa Samba da Silvia. Joyce homenageia Zé Keti (Diz que eu também fui por aí) e Clementina de Jesus, Pixinguinha, Baden Powell e Moacir Santos (Forças d'alma). A produção e a direção artística são de Joyce. Adoro Quatro elementos e Azul Bahia, em que ela usa a voz como instrumento. Esse Cd é imperdível. Como cantora, Joyce tem uma voz afinadíssima e de rara beleza. Como compositora, ela nos brinda com canções memoráveis. Sua discografia (títulos lançados no Brasil e no exterior) e participações em outros álbuns são extensas e tornariam este post muito longo. Em um outro artigo, mencionarei outros trabalhos dela. Quinta-feira, Maio 01, 2003
As belas interpretações intimistas de Claudia Telles Seu primeiro trabalho foi o lançamento, em 76, de um compacto, em que canta Fim de tarde. De lá pra cá, gravou vários discos, mostrando todo o seu talento e sua intimidade com a música.
Em 97, lançou "Por Causa de Você", dedicado a sua mãe, a cantora Sylvinha Telles, uma das precursoras da Bossa Nova. Claudia gravou músicas consagradas, como A felicidade, Samba do avião, Discussão, entre outras. Fez duetos com as gravações originais de sua mãe, nas faixas Dindi e Se todos fossem iguais a você. Assisti a esse show no Vinícius Bar, em Ipanema. Gravou também um álbum, cantando canções de Cartola e Nelson Cavaquinho. Por esse trabalho, recebeu uma indicação para o prêmio SHARP de melhor intérprete de MPB no ano de 97. Esse cd traz composições de sucesso, como As rosas não falam, O mundo é um moinho, Acontece, Folhas secas e A flor e o espinho. O disco é primoroso. Claudia, em 2000, lançou "Chega de Saudade", em que homenageia Vinícius de Moraes. Há grandes clássicos, como Ela é carioca, Garota de Ipanema, Eu sei que vou te amar, O amor em paz e Insensatez. Adoro sua interpretação em Primavera, de Carlos Lyra e Vinícius. Seu trabalho mais recente é o disco "Sambas e Bossas", em que também homenageia Sylvinha Telles. Considerado pela crítica como um dos melhores álbuns de 2002, inclui clássicos da MPB e músicas inéditas, com participações especiais de Tito Madi, Johnny Alf, Rosa Maria Colin e Nelson Sargento. Os arranjos são de Marcello Lessa. Destaco sua releitura da música Serrado, de Djavan. Outro cd imperdível. Para ler mais sobre Claudia Telles, visite o site oficial da cantora. Confira também o seu blog pessoal e leia os artigos que ela escreve no excelente blog Revisita da Música Popular Brasileira. |
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